domingo, junho 25, 2006
Andando, fui dar a um jardim voltado para ribeira, e esta milagrosa ribeira que já tanto deu e ainda pode dar, coberta de luzes pequenas que se espalham pela tremules águas – este céu de veludo negro, (a imagem está cansada mas quem pode evita-la?), esta atmosfera macia que nenhuma aragem perturba – tudo isto me envolveu de paz, de acordo com o mundo, como se lentamente fosse atravessando o limiar das felicidades mundanas. Empurrei para o lado esse cepticismo que a toda a hora se infiltra ou se instala na minha prosa… e abri, num gesto de rendição, as portas do meu desencanto ás harmonias da noite. A necessidade da frescura vegetal invade-me, o cheiro da terra, alimentar-me dele, inconscientemente, ou não, faz-me falta… Digo adeus á postagem amarga, á decepção que é a vida neste canto de planeta, fatalmente a minha, ou melhor a nossa, Terra. E contemplo, do alto do jardim, a noite de verão, bebo e respiro desta paz não aprendida. Sei que amanha tudo será diferente, que escreverei uma postagem suspensa – arma da minha guerra contra as indiferenças e as abdicações, mas não quero ser ingrato diante de tal esplendor… agora respiro devagar, como se respirasse a imortalidade…
sábado, junho 17, 2006
Suspenso...
Suspenso num ramo que lanças-te, continuo aí, pois aí me deixas-te, pendurado e apegado a ti, simplesmente perdido e desorientado. Preso ao presente e ao passado, preso como um brinco cravado em ti… a maré vem e vai, este movimento deixa-me tonto. Mais uma noite em branco sem ti, não ter-te a meu lado deixa-me suspenso, eu que vou procurar-te pelas ruas da minha mente, uma lua vem e outra vai, e tu não me permites surpreender-te, surpreende-me tu e desamarra-me do tal ramo que lanças-te…
sexta-feira, junho 16, 2006
Para além de ti...
Olho-me, e continuo dependente do teu cabelo...e não só. Necessito de um beijo no olhar, sabes que te quis idealizar mas tu nunca foste minha…que insensato sou. Para além de ti, não há mais além, é demasiado para ser verdade.
Sei o medo que me invade ao pensar que para além de ti, não haja, pé para me manter á superfície… para além de ti que pode haver? Uma prisão, um céu estrelado, um sonho que já tive!!!
Toca-me, não quero sonhar, deixa-me surpreender-te mais e viver o real a dois… Sabes que um dia te posso odiar… mulher, se não te converteres na minha pele. És tudo o que tenho, para além do sonho do qual não acordarei jamais… Para além de ti, não á mais além...
Sei o medo que me invade ao pensar que para além de ti, não haja, pé para me manter á superfície… para além de ti que pode haver? Uma prisão, um céu estrelado, um sonho que já tive!!!
Toca-me, não quero sonhar, deixa-me surpreender-te mais e viver o real a dois… Sabes que um dia te posso odiar… mulher, se não te converteres na minha pele. És tudo o que tenho, para além do sonho do qual não acordarei jamais… Para além de ti, não á mais além...
sexta-feira, junho 09, 2006
Amanha talvez seja tarde…
Estou cansado de fazer sempre o mesmo percurso, a mesma ocupação, ver as mesmas caras, as mesmas paisagens sem ti ao meu lado, a minha vida vai se enchendo pouco a pouco desses dias tristes, cinzentos e opacos que omitem a sua biografia. Cansado de ir todas as noites aos mesmos bares mesmo sabendo que tu não estás, mas sabendo que voltarei a encontrar-te, cansado de cada noite lamentar a tua ausência. Amanha será tarde se não me vieres buscar, nem tudo está perdido encontra-te comigo pois tu conheces o caminho. Passo horas em que quase todos enganam a suas amantes, quase sempre encontro um bom momento para me assassinar, e entre morte e morte olho para a janela com a vã esperança de ver que a minha cidade se consume em chamas… Mas tu talvez procures um horário perdido onde possas contar uma história de embalar… talvez procures as palavras que um dia eu te escrevi… amanha talvez será tarde…ou não…
terça-feira, junho 06, 2006
Sim, assim...
Sim, assim são as coisas quanto mais pequenas e fugazes, mais ternas, mais suaves, mais… Sim, como o teu olhar que se cruza com o meu e diz tudo sem dizer nada. São momentos raros que vêm e vão e nos aproximam aos pedacinhos, um pouco daqui e outro de além, são pedaços de histórias onde não cabe mais que um coração acelerado batendo descontrolado… Dá-me a mão, aproxima-te para depois nos perdermos nalgum lugar imaginário distante, onde o mar se cruza com a linha do horizonte, pois para lá do mar existe um lugar onde o sonho é o limite… Sim, assim são as coisas, vejo o teu sorriso como um arco-íris de estrelas preso ao meu olhar…
segunda-feira, junho 05, 2006
Ânsia…
Hoje o dia está nublado e cinzento, na realidade não está mas eu vi-o assim, sinto uma angústia rasgada de escrever estas letras para alguém. A ânsia aturde-me por te ter longe de mim, destapo da memória a recordação que me persegue do dia em que me cruzei contigo e senti um “click”. Talvez entenda de sentimentos, ou não, mas seria capaz de beber os mares para descobrir a esperança expressas no teu olhar…Culpo-me ao espelho por não ter arriscado antes, o tempo não cura as feridas que a minha alma sofre. Agora encontro-me como um louco que procura entender, expondo nestas palavras o encanto e o carinho que espero um dia poder dar-te…
domingo, junho 04, 2006
Estranha ausência…
Uma mesa, duas e só duas cadeiras, dois cafés e a gente abarrotando o bar. É fantástico estar a construir um mundo para dois, a verdade parece-me mágica, vendo os outros e nós sozinhos num mundo em que a solidão deveria ser proibida. Uma história diferente, talvez um amor frente a frente, ou não. Um paraíso inventado na mente do coração… um formigueiro ensopando o estômago, uma leve e ténue arrepio e uma vontade de dizer o que as palavras não conseguem exprimir, e sinto-me a voar, ou voamos juntos já nem sei, as mesas e as cadeiras são as nuvens, e os vasos de flores são as estrelas, e existem vasos!!!... e flores…!!! , e a lâmpada é o sol. Ficará na nossa memória esta ilha montada num bar, tão pacífica, tão romântica como uma recordação vaga e fugas. É uma história diferente, um amor diferente, duas almas juntas mas sozinhas rodeadas de outros comuns mortais…
sexta-feira, junho 02, 2006
No instante...
No instante em que iniciei o processo de encontrar-me, pois já via escuridão no sol desta minha cidade. Digo minha porque com o passar dos anos aprendi a lidar e a gostar dela… no instante em que a resignação consumia a cada dia a minha ilusão. Apareces-te e deste-me a mão, frágil mas firme, tenra mas terna… talvez não seja o momento certo para ouvir o sussurrar da tua voz, ou não, mas sem me aperceber o teu olhar já estava perto do meu… digo perto não fisicamente (vocês entendem ao que me refiro). O destino é a promessa de seguir a suspeita que a ilusão me abandonou sem avisar. No momento que começava a esquecer, a atrever-me, a imaginar a inventar…então apareces…
Da noite até...
Mais uma noite pela frente e muitas outras para trás a compartilhar com a almofada que ninguém me faz chorar… quando chegarem as estrelas tenho medo que a minha sinceridade subestime a minha mania de querer estar contigo. E após adormecer já é a mente que toma conta do coração e ai fico de mãos atadas á mercê da parte inconsciente. Sonharei, ou não, que tu me acordas e o ritmo cardíaco é agora mais forte que nem o som das minhas palavras se ouve, quando a gritos me pedem que agigante… enquanto fecho ao olhos o coração reduz-se numa castanha, pois o que dura um flash é agora uma fotografia nossa… Por isso cada noite morro e espero que um raio de sol me acorde para depois deixar ai, ai mesmo os sonhos e viver um novo dia como tantos outros passados… e os que poderão ainda vir…
quinta-feira, junho 01, 2006
Promessas caladas...
…os anos que passaram, parecem séculos em que o tempo se inverte para fazer voltar a esquecer memórias entretanto perdidas no enfarinhado das frustrações, das vitórias e derrotas sofridas. Que entretanto construíram o ser que um dia ao olhar por cimo do ombro não verá ventos nem tempestades, mas sim um ténue deserto em que as areias darão voz ao apelo daqueles que um dia pensaram em desistir. Eu e vós, não deixaremos que tal aconteça a todo aquele que por obra do acaso ou pelo destino (será que existe o destino? Também não sei, ou não devo responder...) foi colocado nos novelos que dão forma ao pano da vida. Assim poderemos um dia quando a nossa condição humana terminar, dizer… apenas algumas promessas ficaram caladas. (Final)