sexta-feira, outubro 27, 2006

“Êxito: um fracasso adiado…”

Não podemos levar tudo totalmente a sério, sentindo uma coisa e fazer o seu contrário, deixar correr… temos de confiar no critério e na premissa razoável sem nada a temer do resto, lutar para obter o melhor; mas o erro também é uma solução, não aceitável mas incontestável também… o êxito talvez seja uma fracasso adiado dai a atitude não pode amainar, pois a flor da dúvida não é tão piedosa e pode abrir…
Quem disse que a coleira e um prato de ração é tudo que um cão sempre quis, quem pôs na ratoeira um queijo de primeira para apanhar o rato pelo nariz, quem oferece uma casa sem portas e janelas para tu abrires, amarrando-te também as asas… Mas como se pode viver num poleiro, sem saltar, correr e voar… tenta-se resolver o problema mas na realidade engole-se a solução. Como é fácil viver fora de uma prisão e descobrir que a tristeza tem fim, e a utópica felicidade pode resumir-se a um aperto de mão… é esse o vírus que nos contagia e sugiro que seja contrariado para que a cura da loucura seja eficaz e selectiva pois quem for teimoso morrerá na praia… pois o êxito é um fracasso adiado…

terça-feira, outubro 17, 2006

“… nos charcos…”

Aprendi nesta vida do bom e do mau, já me elevei pelos céus e arrastei-me pelo barro… com mais de um quarto de século e umas dezenas de defeitos, toquei na loucura com as pontas dos dedos… hoje vou olhando-me nos charcos, eu não preciso de espelhos, sei que sou muito mais bonito quando não me sinto feio. Nunca me interessou, nem poder, nem a fortuna o que admiro são as flores que crescem no lixo… onde está então o horizonte? assim sinto-me de alma nua… respondo: depois de romper a onda só nos resta a espuma… e vou olhando-me nos charcos, eu não preciso de espelhos…

quarta-feira, outubro 11, 2006

“O mais longe ao teu lado…”

Enquanto me aguentem os ossos quero continuar perto de ti e o mais longe ao teu lado, pois o teu olhar é como um balcão de um bar, onde sobes e eu contemplo… pintei o coração com o vermelho dos teus lábios, sei que não posso dormir por estar sempre a sonhar… no Inverno com o sol, com as nuvens no verão… e a lua é um farol ao que me abracei embriagado, acabando á procura de versos no fundo do copo… tudo o que não aprendi nunca o esquecerei, nunca perdi a razão pois também não a encontrei… enquanto me aguentem os ossos…

terça-feira, outubro 10, 2006

“Estranha sereia…”

Caminho devagar, que as pressas não são boas, passando pelas ruas onde brincam crianças… eu também queria ser, mas a guerra da vida apanhou-me, soldado/marinheiro conheci uma sereia… escolhi a mais bonita e a menos boa, sem saber de onde veio alcançou-me uma tempestade e eu que queria atravessar os oceanos para esquece-la… Há que ver a minha pontaria, não apanho uma boa… depois de um Inverno mau, uma má primavera… diz-me porque procuro uma lágrima na areia…

domingo, outubro 08, 2006

“Começar a casa pelo telhado…”

Agora sim, parece que já começo a entender, as coisas importantes aqui são as que estão detrás da pele… e tudo o resto acaba onde começam os meus pés, pois neste tempo apreendi, há coisas melhor não apreende-las… a escola disto pouco me ensinou, se é pelo livros nunca apreendo a colher o céu com as mãos… a rir e a chorar o que escrevo, a coser uma alma rota, a perder o medo de ficar como um idiota, a começar a casa pelo telhado e a poder dormir se não estás ao meu lado… ruínas, talvez por dentro esteja em ruínas, como um cigarro a queimar o tempo, tempo transformado em cinzas… raro não digo diferente mas raro, já não sei se o mundo está ao contrário ou se sou eu que estou de cabeça para baixo… disposto a começar a casa pela telhado…