sexta-feira, julho 21, 2006

A velhinha do “Restelo”

Ela despediu-se do seu amor, ele partiu num barco do cais, ele jurou que voltaria e inundada em prantos ela jurou que esperaria. Milhares de luas passaram e ela continuou ali no cais…muitas tardes se aninharam no seu cabelo e nos seus lábios, não mudou seu vestido, para o caso se ele voltasse não confundir-se. Os caranguejos mordiam suas roupas, sua tristeza e sua ilusão e o tempo se passou…e seus olhos se encheram de amanheceres, e pelo mar se apaixonou, seu corpo se enraizou no cais… sozinha, sozinha no esquecimento, com seu espírito, com o seu amor ao mar… sozinha no cais. Seu cabelo branquejou, mas nenhum barco seu amor lhe devolvia… E uma tarde de abril tentaram demove-la de tal sofrimento mas ninguém pode arrancá-la, e do mar jamais a separaram…ficou, ficou, sozinha, sozinha com o sol e com o mar, até o fim….