quinta-feira, maio 11, 2006

..."Cidade..."

Era uma vez, como começam as histótias da nossa infância, digo nossa porque imagino que já todos passamos por ela(ou não) continuando...era uma vez um homem que vivia fora dos muros da cidade, se pagava por algum crime que cometera, se pagava culpas de antepassados, ou apenas se retirara por indiferença - não se sabe. Talvez um pouco de tudo isto, vivia o homem então fora dos muros da cidade, deste facto deliberado ou imposto acabou por establecer essa condição.
Mas não podia era evitar que nos olhos lhe pairasse a névoa melancólica que envolve todo o ser solitário... algumas vezes tentou entrar, fê-lo não pelo cansaço da situação, mas sim pelo instinto de mudança ou desconforto inconsiente.
Escolheu sempre as portas erradas, se portas havia, e se lhe aconteceu julgar que entrara na cidade, talvez sim, mas era como se a par da cidade real houvesse imagens dela inconsistentes, como a sombra que nos olhos se torna mais densa; e quando as imagens se desvaneciam era o deserto que o rodeava.
E ao longe, brancos e altos, com árvores plantadas nas torres e jardins suspensos nas varandas, os muros da cidade brilhavam outra vez inacessivéis... (cont.)